16.6.13

Greve

Aida Santos e a Greve dos Professores

******












A todos os professores
ESTAMOS CONVOSCO
Meus amigos:

Amanhã, de olhos postos em vós, estamos convosco – nós, aposentados; nós, funcionários públicos; nós, quantos tememos pelo que vem a seguir; e nós, todos os outros, os que bem sabemos os males que nos espreitam: os que vemos como os direitos e a Lei, feita para nos defender a todos, tem sido letra morta - e já se chegou ao ponto de nos virem publicamente ameaçar de que logo a seguir hão-de tratar de a pôr a jeito.
Este é o ponto, meus amigos – o cerne da questão. Do que se trata aqui é de se estar a semear o terror no que era terreno sagrado, pelo preço de sangue que custou.
Em Democracia, ninguém pode impor unilateralmente – e ninguém é obrigado a aceitar – condições de trabalho impróprias. Ninguém pode aumentar arbitrariamente – e ninguém é obrigado a aceitar – horários, só para poder depois despedir mais gente. Ninguém pode mandar às malvas a própria decisão do colégio arbitral que solicitou e integrou (queria-a, sim, que foi quem a requereu – mas só se fosse a seu favor...). Ninguém pode, por ter errado todo o tempo, por não ter conseguido fazer o que lhe competia, e por não ter sido capaz de controlar o défice, apesar de tudo aquilo a que sujeitou o povo – para quem só deve trabalhar e a quem só deve o mandato – violar tão declaradamente as regras que suportam a sua própria legitimidade. Ninguém pode, finalmente, mudar o nome das coisas.
Acusemos todos, amigos, a "comunicação social" – o jornalismo oco, bacoco e debitante destes tempos de miséria, que trata de nos repetir à naúsea os nomes com que o governo pretende baptizar o seu mundo novo: aquele que nos pretende impor quem só para nós e para este nosso presente devia governar.
"Reforma do Estado"??? ("contribuição especial de solidariedade"? "TSU dos reformados"? "taxas de sustentabilidade"? "convergência"?). Nenhum jornalista, nenhum jornal, nenhuma TV pode limitar-se a ser a máquina de propaganda do governo. Mas é o que têm sido – todos, sem excepção, utilizam sem reparo (como poderes colaboracionistas que são) os termos criados para ocultar uma realidade sob a máscara de um nome cujo conteúdo, no caso vazio, não vale, não corresponde a nada – mas ilude quem não saiba, enganando descaradamente: e assim aquele sentido aparentemente positivo da expressão, música para os ouvidos de alguns, se transforma num carnaval mediático. 
Estamos convosco. Contra esta indecência governativa – que outro nome não tem – e contra esta falsidade (de promessas e declarações, propaganda e recados, pulsões anti-democráticas e atitudes intoleráveis, num Estado de Direito: intimidatórias, impositivas, fora da lei, furtando-se a ela ou espezinhando depois aquilo a que ela obriga).
Em que terra foram criados estes governantes? Com que famílias, que ideias, que convívio, que amigos, livros, estudos? Que enciclopédia, que visão da realidade é a deles? Em que mundo se educaram, afinal? Não se lhes vê, nem de longe nem ao perto, uma suspeita do que seja uma ideia de Democracia (em que as regrinhas são para se cumprir) – ou sequer um vislumbre do que seja uma noção do Estado de Direito. Não nos merecem confiança. Confiar neles? Só eles mesmos – e os seus apaniguados. 
Pensam que podem tudo. Não podem! A não ser que os deixemos pensar que podem, deixando-os impor-nos o mundo que só aquelas suas ideias habitam. Excluindo-nos.
É por isso que a vossa greve nos importa tanto. E isso é mesmo muito – porque é o essencial.
Por esta simples razão: ou ganham os professores – ou ganha o governo. Este "braço-de-ferro" é só para isto, meus amigos – se vós perderdes, nas razões todas que tendes, perdemos todos. Doravante, a todos poderão mudar horários, tempos e condições de trabalho. A todos poderão mandar para qualquer coisa, chamada outra qualquer coisa. E fica assim assente que todos poderão, de um dia para o outro, ser postos na rua. Critérios? Depois o chefe há-de saber escolher a quem toca ser dispensado. Tal qual antigamente.
Não vai ser fácil ganhar, que bem vimos todos como se forçaram ordens, forjando-as. Os professores, desta vez, já não tinham alternativa. O governo, sim, mas não a quis – preferiu jogar tudo por tudo, para poder levar avante, também com outros, o que se segue.
Não tenhais dúvida, amigos – amanhã estamos todos de olhos postos em vós. E estamos convosco – nós, funcionários públicos; nós, reformados; nós, os outros, os que sabem que também lhes há-de tocar a eles, a seguir... Nós, os que queremos um país decente – com mais verdade e justiça e com respeito pela Lei: pelas pessoas que somos.

Aida Santos
(Associada da APRe!)

14.6.13

RTP Informação

Hora do Fecho

Rosário Gama vai participar, hoje, dia 14, pelas 22h30, no programa "Hora do Fecho" da RTP Informação, a convite da jornalista Maria Flor Pedroso. 
Vão estar os jornalistas Eduardo Oliveira Silva do jornal I e Helena Garrido do Jornal de Negócios.

13.6.13

Em Portimão


Sessão de apresentação e fundação do Núcleo da APRe!, em Portimão.

Encontro


A direcção da APRe! recebeu "Cidadãos Por Coimbra", a organização que corporiza uma das  candidaturas às eleições para a Câmara Municipal de Coimbra.
O Encontro realizou-se a pedido deste Grupo de Cidadãos que pretendia ouvir a nossa Associação sobre as condições de vida e os problemas que afectam a população mais idosa.
Foram feitas algumas propostas e dadas sugestões no sentido da atenção que deve ser dispensada na área social, no desenvolvimento e na acção cultural.
A APRe! informou do seu empenhamento na criação da figura do Provedor do Idoso e deixou o seguinte desafio:
- O que podem fazer para tornar Coimbra uma Cidade Amiga dos Seniores? 

12.6.13

Pausa

O País das Maravilhas

1. Há uns dias que não ligo a televisão. Hoje, decidi ouvir as notícias, Canal 1, o mais antigo. Eu sou de fidelidades. Gosto daquele ar caseiro, que torce o nariz enojado, ou se ri connosco, gosto da piscadela de olho quando se despede. São coisas pouco prosaicas mas eu também sou assim. Liguei o aparelhómetro. Acabaram com a televisão e rádio estatal na Grécia?! De súbito, tive a sensação de ter uma tontura. Tivesse eu aterrado depois de uma longa ausência pela galáxia e nada me poderia assustar mais. É o retrocesso, o fascismo às nossas portas. Na Hungria as coisas não estão melhor, a direita nazi ganha terreno; na Grande e Sublime Porta, bate-se, carrega-se com os tanques de água, mata-se. Sob a bandeira de um regime mais ocidentalizado, vai-se instalando um regime religioso, daqui a um pouco fanático. Na Europa Central arranjam-se todos os subterfúgios para esmagar, de acordo com a lei, os países do Sul. Não vou falar de Portugal, é por demais conhecido o que por aqui vai. Mas é tempo de fazer soar o alarme.
2. Esta tarde fui resolver um problema relativo ao seguro da casa. Resumo a situação: há um mês fui modificar a forma de pagamento que era anual e eu achei que pagar todos os meses seria mais suave. Recebeu-me um profissional que me coíbo de classificar. Percebia pouco do assunto mas telefonou para alguém mais preparado e a resposta foi positiva “Com certeza, minha senhora, não há problema”. Fez as contas, eu tinha razão, a solução é bem mais leve do que a anterior. Perguntei se precisava de ir ao meu banco alterar o tipo de pagamento. Que não, que ideia, eles (companhia de seguros) tratavam de tudo. Encantada da vida, que já tenho com que me coçar. Passou a data de cobrança, comecei a ficar desconfiada. Zás! Uma cartinha, se eu não me importava de pagar via multibanco já que a entidade bancária não pagara. Li com atenção a carta. Pois, a autorização de pagamento fora cancelada. Bom, como eu não tinha mexido em nada, ou tinha sido …milagre ou a seguradora tinha interferido. Fui à seguradora. Atendeu-me outro modelo de profissional. “Então, se o banco não pagou é porque a senhora não tinha saldo!”. Não percebi se o comentário era por incompetência, estupidez, má criação ou simplesmente por eu ser da APRe! Chamei-lhe a atenção, que não eram modos, que num tempo destes é preciso um pouco de contenção com este tipo de comentários. “Dê cá o papel”; eu dei mas devia ter-lho esfregado no nariz. Como ele insistisse na questão do saldo, rapei-lhe o papel da mão (fui tão malcriada como ele tinha sido para mim, tant pis!) e apontei-lhe onde dizia Autorização cancelada e tentei explicar que a autorização não podia ter sido cancelada pelo Espírito Santo. “Então, o banco não é intocável!” disse o protótipo de funcionário, ao que lhe retorqui “Nem a seguradora!” Bom, omito o resto. Fui dali ao banco, de facto, tinham a indicação de cancelada. Repus a ordem indispensável mas como se percebe foi a dedicação do primeiro funcionário (há um mês) que deve ter cancelado o pagamento anual ignorando as consequências da sua instrução ao computador e que o sistema, automaticamente, faz a transferência de acordo com o montante que lhe for indicado desde que não ultrapasse o plafond para o qual tem autorização. O país está a trabalhar muito bem e quando mete informática, atinge o clímax! Talvez pudéssemos avisar o Primeiro Ministro destas pequenas maravilhas.
3. Estive a trabalhar todo o serão. Resolvi fazer um intervalo, liguei de novo o aparelhómetro, aquele que nos invade os serões com bonecos e som. Cheguei agora de Plutão. Por lá é tudo mais sisudo, mais de acordo com a solidão e com a vastidão do Universo. Mais responsável. Pela Avenida da Liberdade – bendito nome! – desfila a cor. Dou com muitas meninas, possantes algumas, muitos meninos garbosos. Padrinhos, madrinhas, populares que mandam umas bocas. A felicidade completa; exibem cores garridas, roupas brilhantes, manjericos na cabeça, também perucas, abanos, leques, sombrinhas, cantam todos, - e como desafinam! - saracoteiam, abanam-se, esganiçam-se, dão muitos beijinhos aos apresentadores, muitos beijinhos e abraços para a direita mas também para esquerda, cumprimentam-se, regozijam-se, e dão também muitos beijinhos ao Presidente da Câmara. Que agradece, ah, se agradece. Ah, grande campanha eleitoral! Está aberta a campanha, pum! Muita alegria, muita exuberância. Ouviram que há por aí uma crise que nos arruína completamente, que nos atira para longe, muito longe da Europa? Uma crise que acaba com a cultura? Quem diria. Cultura, uma coisa que gasta dinheiro e consegue pouco retorno, uma coisa que sai muito cara e que leva gerações a construir, a ganhar público, fiéis seguidores. Destrói-se rapidinho. Ali, no coração desta Lisboa, dança-se. Sacode-se a crise. O medo, também. O medo de hoje e o de amanhã. Quando nem para sardinha chegar, como vai ser?! Lá vai mais um beijinho!
4. Vou deitar-me. Já tomei a minha dose de alienação, já desabafei. Amanhã é dia de Santo António, um santo que conta com a simpatia da direita e da esquerda. Porque, afinal aquilo que nos une é bem mais importante do que o que nos divide.

Luísa Cabral