8.6.17

A percepção e a realidade da segurança

Portugal é um país mais seguro do que muitos portugueses julgam.


Na passada sexta-feira foi aqui publicado um texto com o título “Portugal é o terceiro país mais pacífico do mundo”. O artigo dizia respeito ao último Índice Global da Paz, realizado pelo Instituto para a Economia e Paz (IEP), com sede em Sydney, Austrália. O IEP assinalava uma “melhoria notável” na segurança em Portugal, já que há cinco anos ocupava a 16.ª posição e agora já era o terceiro, depois da Islândia e da Nova Zelândia.

Os comentários a este texto revelavam incredulidade – mais segurança em Portugal, como é possível se assistimos a tantos crimes? Deve dizer-se que o índice do IEP envolve 23 indicadores, alguns dos quais não têm a ver directamente com a criminalidade. Indicadores como a importação de armas, manifestações violentas, operações militares no exterior, tamanho das Forças Armadas, estabilidade política, etc.

Ora consultando o mais recente (2016) Relatório Anual de Segurança Interna, elaborado com elementos fornecidos pelas entidades policiais e outras que constituem o Sistema Nacional de Segurança, verifica-se uma queda significativa na criminalidade participada às autoridades; a não participada não conta, naturalmente, para estas estatísticas.

Em 2014 (último ano para o qual existiam dados comparáveis quando foi feito o relatório) Portugal registava níveis de criminalidade muito inferiores à média da União Europeia. Entre 2008 e 2016 a criminalidade geral desceu 21% no nosso país; e, dentro dela, a criminalidade violenta e grave diminuiu quase um terço (menos 32 %).

É em boa parte por causa da segurança que tantos estrangeiros procuram Portugal, para turismo e também para residirem (aí jogam outros factores, claro, como os fiscais). Mas muitos portugueses acham que a insegurança aumenta assustadoramente no país, o que não é verdade, pelo contrário.

A discrepância entre a percepção das pessoas sobre criminalidade e violência e a realidade poderá ser, em parte, explicada pela exploração crescente do crime e do sangue por alguma comunicação social sensacionalista, nomeadamente televisiva. Mas também é verdade que nós, portugueses, adoramos dizer mal do nosso país.

Francisco Sarsfield Cabral